A vitória do candidato Maguito Vilela (MDB) para prefeito de Goiânia no segundo turno das eleições deste ano foi a mais apertada da história da cidade desde a promulgação da Constituição de 1988. O emedebista venceu o senador Vanderlan Cardoso (PSD) no domingo (29) por uma margem de 27.461 votos, diferença de 5,2 pontos porcentuais de votos válidos. Maguito teve 52,6% contra 47,4% do pessedista.Anteriormente, a menor margem entre primeiro e segundo colocados em uma disputa pela Prefeitura havia sido no primeiro turno em 2000, quando o ex-prefeito Pedro Wilson (PT) terminou em primeiro com uma diferença de 38.630 votos, ou 7,14 pontos, sobre o também ex-prefeito Darci Accorsi (à época PTB).Se forem considerados apenas os confrontos de segundo turno, a menor diferença entre os candidatos havia ocorrido em 1992, quando o próprio Darci (filiado ao PT) venceu a corrida pelo Paço Municipal por uma diferença de 9,38 pontos (cerca de 35 mil votos) sobre o ex-deputado federal Sandro Mabel (PMDB).O levantamento feito pelo POPULAR considerou os números do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e as eleições ocorridas desde 1992, quando as regras contidas da Constituição de 1988 entraram em vigor. Os processos eleitorais ocorridos na capital em 1985 e 1988 tinham um ordenamento diverso - um exemplo, é que elas foram disputadas em turno único. Apesar da Constituição ter sido promulgada cerca de um mês antes da eleição de 1988, as novas regras, como a eleição em dois turnos, não valeram para aquele ano.As eleições de 2020 tiveram características únicas devido à pandemia de Covid-19. A Justiça Eleitoral atrasou o processo em cerca de um mês e diminuiu o período de campanha por causa do alastramento da doença no Brasil a partir de abril. Além disso, candidatos tiveram o contato com eleitor prejudicado devido ao distanciamento social.Em Goiânia, porém, o processo foi mais atípico do que em outras cidades. O agora prefeito eleito de Goiânia, Maguito Vilela, está internado desde o dia 22 de outubro para tratamento da Covid-19. No dia 30 de outubro, ele foi entubado pela primeira vez - ele passou um terço da campanha com a respiração invasiva. A preocupação do eleitor com sua saúde é um dos motivos apontados por especialistas para a taxa recorde de abstenção no segundo turno - 36,75% dos eleitores não foram votar, a maior registrada no País.Outro dado interessante que pode ilustrar este quadro na capital é o porcentual de votos válidos (total de eleitores que votaram e escolheram um candidato, ou seja, excluindo abstenção e votos brancos e nulos). Neste ano, no segundo turno, foram 527.533 votos validados pela Justiça Eleitoral. Com 971.221 eleitores em Goiânia, os votos válidos representaram 54,32%.O número foi bem abaixo de 2016, por exemplo. No segundo turno daquela eleição, 657.392 eleitores escolheram um candidato nas urnas. Com 957.159 eleitores àquela época na capital, o porcentual de votos válidos foi 68,68%.Maiores vantagensNa outra ponta, o recorde de maior vantagem entre primeiro e segundo colocados na capital continua sendo do prefeito Iris Rezende (MDB). Em 2008, o peemedebista (à época o partido se chamava PMDB) foi eleito prefeito ainda no primeiro turno com 74,16% dos votos válidos. O segundo colocado naquela eleição foi o então deputado federal Sandes Júnior (PP), hoje vereador eleito de Goiânia. O pepista teve 15,75% dos votos válidos. A diferença pró-Iris foi de 58,41 pontos porcentuais, ou 371.984 votos. Naquele ano, Iris terminava o mandato que conseguiu nas urnas em 2004 e estava muito bem avaliado segundo pesquisas. A situação inibiu candidaturas e ele teve apenas três concorrentes. Sandes Júnior era do partido do então governador Alcides Rodrigues e se apresentou como o adversário mais forte. No entanto, Alcides nutria boa relação com Iris e se manteve afastado do processo eleitoral.