Para o professor da Faculdade de Administração, Ciências Contábeis e Ciências Econômicas da Universidade Federal de Goiás (Face/UFG) Pedro Henrique Evangelista Duarte, o próximo governador deve voltar os olhos para diagnósticos do mercado de trabalho. O professor explicou que a atual geração passa pela revolução da era da informação, que tem a automação entre as principais características. De acordo com Duarte, pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) realizaram um estudo (com metodologia que foi usado anteriormente nos Estados Unidos) que identificou que 60% dos trabalhadores brasileiros estão em ocupações com alto risco de automação. Segundo o professor, o Centro-Oeste tem o maior índice médio, que pode ser explicado pelo peso do agronegócio (que tem passado por processo intenso de automação). Duarte aponta ainda influência do setor de serviços, pois os estudos indicam que as atividades manuais têm maior possibilidade de serem mecanizadas.“Quando falamos de um alto risco de automação dessas atividades, estamos dizendo que estas pessoas que hoje estão ocupadas vão ficar desempregadas”, disse. Para Duarte, o caminho passa por identificar os setores com maior risco de automação para dimensionar a força de trabalho que existe neles atualmente, entender a qualificação dessas pessoas e pensar na possibilidade de inserção delas em outros setores. Duarte aponta ainda que existe a necessidade de, ao mesmo tempo, identificar setores com possibilidade de expansão para investir na qualificação direcionada de mão de obra.Ações O estado de Goiás tem atualmente unidades de Colégio Tecnológico do Estado de Goiás (Cotec) em 16 municípios goianos, que ofertam educação profissional de forma gratuita, com cursos como gastronomia e produção de alimentos; beleza, estética e bem-estar; gestão e pequenos negócios; tecnologia e produtividade digital; e saúde. Na lista também estão fotografia, oratória, informática e turismo cultural.De acordo com o secretário de Estado da Retomada, César Moura, entre as medidas tomadas nos últimos anos está a qualificação das regiões do estado de acordo com as vocações, levando para os municípios cursos que têm relação direcionada com o mercado local.Em Goiânia, por exemplo, Moura destacou a oferta de cursos de gastronomia, produção de alimentos, tecnologia e saúde. Já em Anápolis, existe foco maior em segurança do trabalho e manutenção de máquinas pesadas. Moura afirmou que um dos desafios do estado é levar informação à população mais vulnerável sobre os benefícios da qualificação profissional e da carteira assinada. Um dos caminhos encontrados até o momento é a realização de feirões temáticos, que atraem pessoas interessadas em setores específicos. “O nosso desafio está em chegar nessas pessoas e motivá-las a ocupar uma dessas vagas. E as vagas hoje dependem de uma qualificação profissional”, disse Moura. O secretário citou como exemplo um curso de motorista de categoria E, carreira com salário de cerca de R$ 8 mil. O curso é gratuito, mas, segundo o secretário, há dificuldade de conseguir 80 pessoas para uma turma. No último grupo, houve evasão de 20% e a maior parte dos formandos foram mulheres. O estado de Goiás também oferece cursos gratuitos em parceria com o Sistema S, atendendo demandas específicas do mercado. Segundo a Retomada, são ministradas aulas nas áreas de tecnologia da informação, transporte de cargas e passageiros e construção civil. Nas Escolas do Futuro, o foco são cursos na área de tecnologia.