A vitória do ex-governador Maguito Vilela (MDB) em Goiânia não apenas conserva o poder emedebista na capital, como também mantém a hegemonia oposicionista no Paço Municipal. Desde 1992, todos os candidatos opositores aos respectivos governadores do Estado foram eleitos, sem exceção. Este ano, Maguito Vilela venceu o confronto contra o senador Vanderlan Cardoso (PSD), que teve apoio maciço do governador Ronaldo Caiado (DEM).Cada eleição tem sua peculiaridade - e a de 2020 teve muitas características atípicas -, mas a sina da vitória oposicionista em Goiânia não se rompe. Vanderlan não era candidato até a desistência do prefeito Iris Rezende (MDB), que anunciou o encerramento da carreira política no fim de agosto. A decisão de Iris abriu espaço para que o senador voltasse atrás e articulasse uma chapa.A saída do prefeito também mudou os planos do DEM de Caiado. O governador é próximo de Iris e provavelmente apoiaria a sua reeleição, mas tem dificuldades com a ala maguitista. Caiado e o presidente regional do MDB, Daniel Vilela (MDB), se enfrentaram em 2018 pelo governo do Estado e são adversários. O governador e Maguito chegaram a conversar na pré-campanha, mas uma possível aliança não evoluiu.A volta de Vanderlan ao jogo também apontou a saída para Caiado, que fechou apoio ao pessedista. A candidatura do senador teve, desde o início, articulação estreita com o Palácio das Esmeraldas.As eleições em Goiânia foram mais atípicas do que no resto do País. Além da pandemia de Covid-19, uma das causas apontadas para o aumento da abstenção em todo o Brasil, o goianiense se viu diante do drama pessoal de Maguito, que foi internado no fim de outubro para o tratamento da doença. A sua ida para a UTI, a posterior transferência para o Hospital Albert Einstein em São Paulo e a subsequente entubação do ex-governador mostraram que o caso era grave (e ainda é, segundo os médicos).As dúvidas sobre o seu estado de saúde e o desconhecimento de seu vice Rogério Cruz (Republicanos) - pesquisa Serpes realizada no dia 26 de novembro mostrou que cerca de 70% do eleitorado de Maguito não conhecia o candidato a vice -, tiveram, ao que tudo indica, uma influência grande na semana decisiva do segundo turno. Goiânia teve o maior índice de abstenção do Brasil e a diferença entre os dois candidatos foi a menor desde a promulgação da Constituição em 1988.AliadosNo entanto, Goiânia escolheu em 2020, novamente, um prefeito opositor ao governo do Estado. Desde a redemocratização, em apenas duas oportunidades o prefeito eleito na capital era aliado do governador - exatamente nas duas primeiras eleições após o Regime Militar, em 1985 e 1988. Mesmo assim, os resultados dos dois pleitos foram apertados.Essas duas eleições foram disputadas em turno único, seguindo as regras do período pré-Constituição de 1988. Em 1985, o ex-prefeito Daniel Antônio (PMDB) era o nome do então governador Iris Rezende (PMDB) para a disputa na capital. O País ainda passava por um momento de transição para a democracia e o PMDB - que herdou a estrutura do antigo MDB, partido de oposição ao regime militar durante a ditadura - tinha grande força, principalmente em Goiás. Mesmo assim, o desempenho do petista Darci Accorsi surpreendeu. Ao final, Daniel Antônio foi eleito por uma diferença pequena de votos - teve 109.646, enquanto que Darci terminou com 97.797.Em 1988, o governador Henrique Santillo (PMDB) apoiou o ex-prefeito Nion Albernaz (PMDB) para a Prefeitura da capital. Nion já havia sido prefeito nomeado por Iris em 1983, antes da volta das eleições diretas para capitais. Anos mais tarde, porém, o PMDB estava dividido entre os chamados santillistas, grupo do governador, e os iristas, próximos ao ex-governador e, à época, ministro da Agricultura Iris Rezende. Apesar do apoio de Santillo, o êxito de Nion foi visto como uma vitória de Iris. Mesmo assim, o petista Pedro Wilson cresceu na reta final e a vantagem foi, novamente, pequena.