A incerteza sobre recursos do fundo eleitoral e o “fogo amigo” na disputa por apoios estão entre motivos apontados na base governista para a desistência do ex-presidente da Agência Goiana de Infraestrutura e Transportes (Goinfra) e um dos principais auxiliares da gestão de Ronaldo Caiado (PSD) no governo Pedro Sales (PSD) da candidatura a deputado federal, anunciada nesta terça-feira (18).O anúncio gerou articulações governistas para evitar novas baixas, especialmente no partido de Caiado, que é candidato à Presidência da República. O vice na chapa é o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, que atua intensamente para eleger ampla bancada de deputados federais e garantir boa parcela dos fundos partidário e eleitoral e do tempo de propaganda na televisão.Entre os outros 11 candidatos do PSD a deputado federal, o clima foi de preocupação com os prejuízos para a contagem total de votos da chapa e receio de outras desistências. A outra ex-auxiliar do governo Caiado que está na lista de candidatos, Fátima Gavioli (PSD), ex-secretária de Educação, garantiu que não haverá recuo em sua campanha.“Foi um susto a saída do Pedro Sales e é ruim perder um companheiro, mas seguimos firmes. Há uma pressão psicológica forte, é uma guerra. Hoje veio muita especulação de que agora o partido só faz dois ou só faz um, mas me basta uma vaga. Vou até a reta final”, afirmou a ex-secretária.Segundo informações de bastidores, Sales, que nunca disputou eleição, fez cobranças junto ao partido sobre valor do fundo eleitoral e a previsão de recebimento para estruturar a campanha. O PSD, que além da candidatura à Presidência, lançou 13 candidatos a governos estaduais, sinalizou que não repassará aos postulantes a deputado federal de Goiás o teto de gastos (R$ 3,17 milhões). Os candidatos à reeleição teriam recebido garantia de R$ 2 milhões. No caso de mulheres, de R$ 2,8 milhões.Além da indefinição sobre os recursos, Sales também teria ficado insatisfeito com atuações de outros candidatos - o mais citado é o deputado estadual Lucas do Vale (PSD) - para “invadir” suas bases. Diante dos sinais da pouca viabilidade na eleição, o ex-auxiliar comunicou a aliados próximos e a sua equipe que não levaria a candidatura adiante.Ao POPULAR, Sales afirmou se tratar de “decisão particular” e que voltará a Brasília para apoiar a família e retomar sua carreira - ele é servidor efetivo do Supremo Tribunal Federal (STF).Sobre as supostas insatisfações, Sales disse apenas que recebeu apoio de todos em sua pré-campanha e que no dia 4 de outubro “estará de volta para votar 55 e 15 para arrumar este país e dar continuidade ao melhor governo do Brasil”, em referência aos números de campanha de Caiado e do governador Daniel Vilela (MDB), candidato à reeleição. “Só tenho gratidão”, afirma.O ex-candidato também diz entender que não vai prejudicar a chapa de candidatos do partido à eleição na Câmara dos Deputados. “A realidade é que o PSD faz duas cadeiras, comigo na chapa ou não. Desejo muita sorte aos colegas”, afirma.Antes do anúncio, ele não comunicou a decisão nem a Caiado nem a Daniel. Alegou que ambos “têm coisas mais importantes para tratar”, em referência às suas próprias campanhas.Pedro Sales negou que sua decisão tenha relação com possíveis desgastes provocados pela Operação Simulatio, deflagrada pelo Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO) no dia 11, para apurar fraudes em contratações de contêineres e salas modulares. A operação cumpriu mandados de busca e apreensão em órgãos públicos de dez municípios e na sede da Goinfra.Como mostrou O POPULAR, apesar de o MP-GO apontar suspeitas de desvios de R$ 14,8 milhões no total das apurações, o contrato investigado na Goinfra é de apenas R$ 364,2 mil. “Eu nem sequer fui mencionado - nem hipoteticamente - em inquérito, assim como nenhum servidor da Goinfra foi. Não houve nenhuma irregularidade naquele processo. Minha decisão não tem nenhuma relação com nada que diga respeito à condição de gestor”, disse.Na segunda-feira (17), Sales participou de evento de campanha ao lado da ex-primeira-dama Gracinha Caiado (UB), candidata ao Senado, em Formosa, no Entorno do Distrito Federal. Na ocasião, ela fez elogios ao trabalho de Sales à frente da Goinfra. Ele também fez postagens anunciando que estaria em evento de Daniel Vilela nesta terça, de adesivaço no Estádio Serra Dourada, em Goiânia. À tarde, ele já havia assinado o registro de desistência da candidatura para protocolo na Justiça Eleitoral.