“A gente quer que se dê uma atenção maior pra tudo isso, que sejam julgados esses processos deles de uma maneira rápida, porque as pessoas estão morrendo, sabe? (...) A gente nunca vê a justiça acontecer. É um trauma que fica passando de geração pra geração.” A fala é de Aline Porfírio, neta do ex-deputado estadual pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) José Porfírio, cassado pela ditadura militar por ter sua atuação política considerada como subversiva. Ele também foi um dos alvos da repressão no contexto da revolta camponesa de Trombas e Formoso, no norte de Goiás. José desapareceu após ser detido pelas forças de segurança do regime. A busca por justiça e reparação das famílias de desaparecidos políticos da ditadura militar no Brasil segue marcada pela espera, mas representantes do Grupo Tortura Nunca Mais de Goiás (GTNM-GO) apresentaram, na última semana, em Brasília, um panorama das violações de direitos humanos sofridas por camponeses durante a ditadura em reunião com Bernard Duhaime, relator especial da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre a Promoção da Verdade, Reparação e Garantias de Não Recorrência.