O advogado Luis Alexandre Rassi, que atuará na defesa do juiz Adenito Francisco Mariano Júnior, de Silvânia, divulgou nota na tarde desta terça-feira (13), em que aponta fraudes em comprovantes de endereços por parte de advogados e diz que o magistrado desconhece as movimentações financeiras dos filhos.A investigação da Polícia Civil e do Ministério Público que afastou Adenito do cargo por 180 dias e determinou uso de tornozeleira eletrônica, indica suspeita de que contas dos filhos do juiz, especialmente de Pedro Gustavo Gornattes Mariano, teriam sido usadas para receber valores indevidos. Ele movimentou R$ 1,8 milhão em seis meses.Luis Alexandre Rassi afirma que, sabedores de posição conhecida do magistrado em favor de ações revisionais, advogados fraudavam endereços para protocolar ações no local de competência do juiz. Diz ainda que Adenito não teve contato com os filhos após a operação - todos tiveram os celulares apreendidos - e que caberá a eles apresentar esclarecimentos sobre as movimentações bancárias.“A busca e apreensão realizada por ordem do TJ-GO questiona as decisões proferidas pelo magistrado em sede de Ações Revisionais. O magistrado, sobre o tema, tem firme posicionamento, conhecido pelos operadores do Direito. Sabedores do posicionamento do magistrado, advogados fraudavam os comprovantes de endereços com o intuito de firmar a competência daquele Juiz o qual, naturalmente, atenderia seus pleitos”, diz a nota.O advogado afirmou ainda que os filhos de Adenito “são maiores e pessoas de bem e certamente” darão explicações sobre as movimentações financeiras “a contento”. “No mais, aguarda-se ansiosamente o aprofundamento das investigações para que se exclua qualquer suspeita contra a atuação proba do Juiz, resguardando-se, assim, o mais importante direito dos magistrados: decidir de acordo com sua ciência e consciência”, finaliza a nota.O POPULAR não conseguiu contato com os demais investigados e não identificou seus advogados. Na tarde desta terça-feira, advogados se apresentaram para defender apenas dois investigados, mas eles não foram localizados pela reportagem. Em nota, a diretoria da Associação dos Magistrados do Estado de Goiás (Asmego) disse “acreditar no curso das investigações para apuração dos fatos, conforme determina o Princípio Constitucional do Devido Processo Legal”. “Observa, ainda, que é assegurado ao juiz, como cidadão, a oportunidade de apresentar o contraditório. A Asmego está à disposição para contribuir com o que for necessário, dentro da legitimidade do processo”, completa.A Associação dos Procuradores da Assembleia Legislativa do Estado de Goiás afirmou que “tomou ciência, por meio da imprensa, da citação de um de seus membros na operação conduzida pelo Poder Judiciário do Estado de Goiás e pela Polícia Civil”. “A Associação expressa sua confiança na condução isenta das investigações e reitera a importância da observância dos princípios constitucionais da presunção de inocência, do devido processo legal e do contraditório, assegurando aos investigados o direito à ampla defesa”, completa.Já a Ordem dos Advogados do Brasil - Seção Goiás (OAB-GO) disse que acompanhou o cumprimento das medidas para “garantir os direitos, prerrogativas e o respeito ao contraditório e à presunção de inocência dos advogados envolvidos”. “Em situações como essa, é praxe que a OAB-GO acompanhe toda a investigação para, em seguida, tomar as providências necessárias na esfera ética, caso se comprove eventual infringência dos deveres funcionais dos inscritos”, finalizou.