Desde que a articulação via cúpula nacional para ida do empresário José Batista Júnior, o Júnior do Friboi, para o PMDB tornou-se pública (em meados de março), os ânimos não foram mais os mesmos no partido. A situação agravou-se a partir do último dia 15 com o ato de filiação e, desde então, a legenda virou um verdadeiro caldeirão com disputa interna por poder. As insatisfações, antes camufladas, começam a ser externadas e, em conversas reservadas, ninguém se nega a fazer desabafos, tanto contra o ex-governador Iris Rezende quanto contra Júnior. Paralelamente às lamentações internas, declarações dos deputados federais Iris de Araújo e Sandro Mabel na semana passada ao programa Papo Político da CBN Goiânia e à coluna Giro tornaram evidente o estado de espírito nada pacificador dos peemedebistas. O clima entre Mabel e Iris de Araújo esquentou depois da visita do líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha, a Iris Rezende no dia 20. O convívio entre os dois não vai bem desde fevereiro, quando Mabel, então candidato a líder peemedebista, não teria tido o apoio da deputada. A chegada do megaempresário dividiu o PMDB. De um lado, Iris Rezende, acompanhado de Iris de Araújo, de dirigentes do partido e membros da velha guarda (veja quadro). Do outro, Júnior e os deputados federais Leandro Vilela, Pedro Chaves e Sandro Mabel, além de membros da bancada estadual. Desde o final de 2006, quando o hoje prefeito de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela, foi derrotado na disputa pelo governo do Estado, a posição de maior liderança e condutor do PMDB exercida por Iris não era contestada de forma tão intensa. Uma fonte próxima ao ex-governador reforça a insatisfação dele com a interferência do PMDB nacional nas questões estaduais, por meio do presidente Valdir Raupp e do vice-presidente da República, Michel Temer. O descontentamento dele soma-se ao comportamento dos deputados na Assembleia que, segundo Iris, não fazem oposição ao governo. Para o ex-governador, a cúpula nacional “ignorou o que ele fez pelo Estado” e, para mostrar que é ele quem manda na sigla goiana, estaria disposto a levar seu nome à convenção em junho do ano que vem. Segundo a fonte, o peemedebista não desistiu de ser candidato e tampouco disputaria uma vaga ao Senado: “Ele tem desencanto pelo Congresso. Quanto ao Executivo, embora não esteja empolgado, seu coração balança”. O peemedebista recebe com frequência diversos políticos em seu apartamento no Setor Oeste e costuma relembrar a decepção com a campanha de 2010, quando deixou a Prefeitura de Goiânia para entrar na disputa, mas não viu empenho dos militantes do PMDB e de aliados à sua candidatura. “Hoje ele percebe que não deveria ter deixado o Paço, que aquele não era o momento, que queimou cartucho”, diz outro peemedebista da cozinha de Iris, completando que ainda assim ele afirma que não é homem de “deixar o partido na mão” em caso de necessidade. Diretório Segundo fontes, o ex-governador diz que, embora tenha aberto espaço para a ala jovem do partido comandar o diretório estadual, os deputados não conseguiram fazer o dever de casa, não conseguem se impor e que isso dificulta o poder de decisão por parte deles. Iris também teria dito que o partido está solto, à deriva. Mas que mesmo assim não o entregará “de mão beijada” a terceiros. Ele teria confidenciado a um interlocutor que se não for candidato pode apoiar o deputado estadual e presidente da sigla, Samuel Belchior, ao governo. Quanto a Júnior, acha pouco provável que ele consiga viabilizar seu nome em um ano. Um deputado, em tom de desabafo, afirma que as decisões estão sendo tomadas em conjunto e que Iris foi procurado antes da filiação de Júnior para dizer o que pensava. Entretanto, segundo o parlamentar, o ex-governador “só admite as coisas da forma dele”. “O que ele quer? Todo partido participou da filiação, só ele que não. Será que o PMDB está todo errado e só ele está certo?”, questiona. Outro parlamentar vê a situação com gravidade. “Ninguém diminui Iris nem o desmerece, mas já deu. Não adianta ficar reclamando de derrota”. A situação para Júnior e seus apoiadores, no entanto, é delicada. Apesar do clima de estranhamento com Iris, ninguém na sigla nega que o apoio do ex-governador é fundamental para viabilizar uma candidatura do empresário e que Iris tem muito mais condições de impor seu nome, caso deseje. “Se Iris soltar uma nota dizendo que ele (Júnior) não é candidato, acabou”, diz uma liderança da sigla. “Como um peemedebista será candidato sem apoio de Iris?”, questiona um parlamentar, dando a dimensão do problema para Júnior. Petistas Principal aliado do PMDB, o PT não precisa fazer esforços para se beneficiar com as divergências internas da sigla aliada. O partido, que passa por um momento favorável, ao que tudo indica não está indiferente aos atritos entre peemedebistas, trabalhando de forma silenciosa para, em 2014, ter condição de encabeçar a chapa. Os nomes já tem: Paulo Garcia e Antônio Gomide, prefeitos, respectivamente, de Goiânia e Anápolis. De acordo com o deputado federal Rubens Otoni, a fragilização do PMDB não os interessa, mas ele admite que a situação pode beneficiar o PT no sentido de lançar candidatura própria. “Mas nossa estratégia para encabeçar chapa não passa pela fragilização do PMDB. Ao contrário, o partido precisa estar forte para somar à aliança oposicionista”, diz. Os próprios petistas admitem, no entanto, que dificilmente, outro nome além de Iris aglutinará apoio sem intervenção nacional.-Imagem (Image_1.329878)