Quem via o que tinha sobrado de um ovo de avestruz dado ao Brasil pelo Sudão em 2012 o colocava na lista de objetos completamente perdidos após a invasão às sedes dos Poderes em 8 de janeiro. Na manhã do dia 9, os cacos minúsculos espalhados entre a Câmara dos Deputados e o Senado se misturavam aos vidros estilhaçados e ao que restava de outros presentes quebrados por vândalos na véspera. Um ano depois do episódio, funcionários da Câmara dos Deputados estão prestes a devolver o ovo de autoria desconhecida à galeria de presentes protocolares — e a completar uma espécie de quebra-cabeças com fundo em tons de branco e milhares de peças. "O ovo está sendo um presente para a alma", afirma a restauradora da Câmara Joana Braga Paulino. "A gente ficou em estado de revolta ao ver os bens que a gente cuida com tanta responsabilidade. De repente, sem razão nenhuma, tudo tinha sido destruído."