É consenso entre representantes do setor produtivo que, em um cenário de transição energética, Goiás tem em suas mãos uma grande oportunidade com a exploração de terras raras e outros minerais críticos. O estado tem quatro cidades goianas com projetos voltados para terras raras, que são considerados em estágio avançado. O principal é de Minaçu, a Serra Verde, que já entrou em produção industrial e comercial. Os demais estão em Mundo Novo, Nova Roma e Catalão, mas ainda em fases iniciais.Este tipo de minério é usado na fabricação de produtos de alta tecnologia, como carros elétricos e smartphones. Eles também são usados na indústria de defesa. A principal produtora é a China. O governo de Goiás intensificou movimentos em relação ao setor no ano passado, após visita do então governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), ao Japão, quando autoridades do país demonstraram interesse em investir nesta área no estado. Depois disso, o estado assinou memorandos de cooperação com os Estados Unidos e com o Japão.“Precisamos aproveitar essa oportunidade, que é a seguinte: uma demanda mundial assertiva e uma capacidade natural que Goiás tem”, afirmou o presidente do Mineração Inovação e Desenvolvimento (Minde), Luiz Vessani. O representante do setor cobrou melhora no diálogo do governo estadual com empresários e a retirada de entraves, apontando demora na liberação de licenças ambientais. A Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Semad) disse em nota que os pedidos de licenciamento ambiental de mineração são analisados em cerca de 140 dias, prazo menor do que o limite estabelecido pela legislação. A pasta argumentou que este tipo de licenciamento exige análise detalhada devido aos impactos que a atividade pode causar e destacou que, ao solicitar o documento, o empreendedor deve apresentar todos os estudos necessários.O presidente da Federação das Indústrias de Goiás (Fieg), André Rocha, afirmou que Goiás precisa se dedicar não apenas à exploração de minerais críticos, mas buscar formas de agregar valor à cadeia. Para Rocha, Goiás pode ter posição privilegiada na transição energética. O presidente citou ainda o potencial de Goiás em outras áreas, como desenvolvimento tecnológico e inteligência artificial.O cientista político e professor da UFG, Francisco Tavares, também destacou o potencial de Goiás na “economia do futuro”. “O que se tem construído aqui é conhecimento, valor agregado, é a programação, é o algoritmo da inteligência artificial. E como sabemos, essa é a economia do futuro. Goiás tem essa vocação”, afirmou. O Centro de Excelência em IA (Ceia), da UFG, é visto como o principal foco de desenvolvimento desta área no estado. BaseMesmo diante das novas atividades e potenciais do estado, o agronegócio segue, ao lado da indústria, como um segmento consolidado na economia goiana. De acordo com gerente técnico da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), Edson Novaes, no fechamento do quarto trimestre do ano passado, o setor empregou aproximadamente 1 milhão de pessoas.Novaes afirmou também que a cadeia produtiva é diversificada e está presente em diferentes regiões. O gerente destacou que as regiões Sul, Sudoeste, Oeste e Sudeste do estado estão consolidadas quanto à agricultura e pecuária. As regiões de maior potencial são Vale do Araguaia, Médio Norte e Nordeste. Segundo Novaes, os desafios de forma geral estão, entre outros pontos, em energia elétrica e estrutura rodoviária. “Precisamos produzir mais, com menor custo, armazenar e transportar melhor essa produção. Nós vamos precisar agregar o valor a essa produção e exportar produtos cada vez com mais valor agregado”, afirmou.