Após encontro com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em São Paulo, no final da tarde de ontem, o prefeito Paulo Garcia (PT) evitou polemizar com o governador Marconi Perillo (PSDB) e disse que os ataques do tucano não foram tema da conversa. “Não abordamos isso. Tínhamos assuntos de importância para tratar”, ironizou. O subchefe de Assuntos Federativos da Presidência da República, Olavo Noleto, que é do PT goiano, também fez discurso ameno em resposta ao governador, que chamou Lula de “o maior canalha do País”, em evento no sábado. “O presidente Lula é um dos maiores personagens da nossa história política. A declaração do governador Perillo foi no mínimo infeliz e inoportuna”, disse Olavo ao programa Papo Político, na CBN Goiânia. “Eu, no lugar dele, pediria desculpas.” Do PT nacional, houve apenas uma curta resposta do presidente do diretório, Rui Falcão, à coluna Painel, do jornal Folha de S.Paulo: “Canalha é quem loteia o próprio governo entre amigos como o bicheiro Carlinhos Cachoeira e o ficha-suja Demóstenes Torres”. O presidente do PT goiano, Valdi Camarcio, disse ao Giro de ontem que o governador é “mau caráter” e apontou “baixo nível” no discurso do tucano, feito na convenção nacional do PSDB, que elegeu o senador Aécio Neves (MG) presidente nacional da sigla. “Nós do PT não temos o mínimo de respeito por gente desse tipo”, disse. Nos bastidores, petistas afirmam que a avaliação em nível nacional foi de que o discurso do governador goiano, o mais duro do evento, ganhou pouco destaque na mídia e que a “falta de credibilidade” do tucano minimiza as declarações. Daí a decisão em não repercutir. Visita Paulo Garcia disse que, assim como Falcão, Lula avalia que há um momento favorável à oposição em Goiás para as eleições de 2014 e defendeu a ampliação da aliança entre PT e PMDB. Acompanhado do secretário municipal de Governo, Osmar Magalhães, o prefeito convidou o ex-presidente para uma visita ao Estado, que pode ser um evento de comemoração dos dez anos de governo petista. Não há, no entanto, data fechada para a visita. O prefeito esteve com Falcão na semana passada, também para discutir o cenário para 2014. Olavo, que acompanhou a comitiva goiana, disse que o partido não fez orientação de apoio ao PMDB, mas apenas de união no Estado. “O PMDB é muito forte e tem legitimidade para querer lançar candidato. Não há problemas sobre o nome de Friboi (o empresário José Batista Júnior, que se filiou ao PMDB na última quarta-feira), mas a indicação do nome dele ainda não ocorreu. O PMDB ainda vai fechar um nome. O PT vai apresentar seus nomes também. No momento correto, vamos unificar em torno de um só”, disse Olavo. No sábado, depois do discurso de Marconi, Paulo Garcia disse no Twitter que “não reconhecer que Lula foi um grande presidente é não querer ver o óbvio”. “Precisamos agradecer ao presidente Lula por transformar o Brasil. Nação soberana e respeitada. Homem do povo e verdadeiro estadista”, postou o prefeito, sem citar diretamente os ataques do governador. PSDB Marconi não quis comentar ontem a declaração de Rui Falcão. Disse que a assessoria avaliaria a repercussão para dar uma “resposta técnica e de alto nível”. Questionado se considera que há risco de alguma retaliação contra o governo, o governador afirmou que há distanciamento entre Lula e a gestão de Dilma Rousseff. “Se dependesse dele (de Lula), certamente que eu já teria sido muito retaliado. Mas felizmente temos no comando do País uma pessoa equilibrada, séria, republicana, que é a presidente Dilma”, afirmou, ao visitar a 68ª Exposição Agropecuária de Goiás, na tarde de ontem. Grampos O governador também comentou pela primeira vez a criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Grampos, na Assembleia Legislativa. Provocada por denúncias apresentadas pela revista Carta Capital, a comissão ainda não iniciou os trabalhos – aguarda a indicação dos integrantes. “Eu nunca temi CPI alguma. Mesmo aquelas que tinham caráter apenas especulativo ou persecutório ainda assim eu as enfrentei. Não me preocupo com isso. Acho apenas que o instrumento das CPIs não deve ser banalizado, senão vai perdendo cada vez mais força, cada vez mais credibilidade”, disse.