Depois de a Prefeitura de Goiânia ter barrado 370 das 975 emendas impositivas apresentadas pelos vereadores da capital no Orçamento de 2026, o presidente da Câmara Municipal, Romário Policarpo (PRD), criticou as justificativas dadas para os vetos às indicações. “Entendo, inclusive, que alguns vetos das emendas são totalmente equivocados. Quando a Prefeitura veta uma emenda falando que ela tem uma ‘demanda excessiva no mercado’, isso não condiz com a realidade. A emenda é impositiva e são os vereadores que têm que decidir se elas serão executadas ou não”, disse Policarpo, em entrevista coletiva.O presidente prosseguiu dizendo que não faz parte das atribuições da Prefeitura barrar por questões ‘quantitativas’. “O vereador obviamente se responsabiliza pelo não cumprimento dela e obviamente o dinheiro é devolvido aos cofres públicos. Mas não cabe à Prefeitura vetar emendas por questões de quantitativo de serviço ou não.”Como mostrou O POPULAR, o Paço, ao bloquear as destinações, informou seguir determinações do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM-GO) sobre rastreabilidade e transparência dos recursos. O relatório da Prefeitura traz uma lista de justificativas para rejeição e ressalvas às emendas, mas os motivos mais frequentes foram problemas de registro, regularidade e CNPJs de entidades não governamentais; e falta de clareza e detalhamento da destinação dos recursos. Os vereadores agora têm 30 dias para acréscimo de informações ou novas indicações ao município.Policarpo defendeu a regulamentação das destinações conforme as regras do STF e do TCM-GO e lembrou projeto de lei de Daniela da Gilka (PRTB), em tramitação, que permite que os parlamentares promovam alterações no objeto, beneficiário ou órgão executor das emendas “quantas vezes forem necessárias”. “A decisão sobre emendas cabe à Câmara Municipal. Ela não cabe ao Paço. Eu acho que as emendas que não podem ser executadas são as por falta de documentação da entidade que recebe ou por valores que são aplicados na emenda que são inferiores àquele que o serviço tem que ser praticado”, disse Policarpo. O líder do governo, Wellington Bessa (DC) reforçou a previsão de reunião esta semana do prefeito com os vereadores para tratar das emendas impositivas, mas disse aguardar confirmação da Secretaria de Governo sobre data e horário. (Gabriel Neves)