O início do horário eleitoral gratuito na televisão para a disputa ao governo de Goiás foi definido pelo trabalho das campanhas para apresentar os candidatos ao Palácio das Esmeraldas, com suas trajetórias pessoais, mas principalmente pela tentativa de consolidar marcas políticas trabalhadas desde a pré-campanha. De acordo com especialistas ouvidos pelo POPULAR, os primeiros programas revelam estratégias focadas em continuidade administrativa, apelo social, origem dos postulantes, alinhamento nacional e o peso dos legados.Com o maior tempo de propaganda, o governador e candidato à reeleição, Daniel Vilela (MDB), levou ao ar dois programas diferentes nos blocos de exibição na TV, com embasamento na associação do emedebista ao ex-governador Ronaldo Caiado (PSD). Além disso, aposta no conceito de estabilidade administrativa, para transmitir segurança e garantir que as conquistas serão mantidas.Enquanto o primeiro programa governista focou na transmissão de legado e na consolidação da parceria, com o apontamento de que Daniel seria a escolha natural para dar sequência ao projeto de Caiado, a segunda peça adota tom mais emotivo e programático, com casos de pessoas atendidas por programas sociais, por exemplo. Para o professor da UFG e cientista político, Guilherme Carvalho, o governador executou “o básico bem feito”. “O candidato tenta fazer essa transferência de capital político e traz a ideia de continuidade, que tem relação justamente com a popularidade do governo. Então, não fez uma propaganda de líder nas pesquisas, mas de quem precisa receber o capital do seu padrinho”, apontou o especialista.Com o segundo maior tempo, o candidato do PT, ex-deputado Luis Cesar Bueno, apresentou a marca de “governador do presidente Lula em Goiás”, com forte alinhamento federal para o centro do discurso de campanha. O programa apresenta a biografia do candidato e inclui a fundação do PT e a relação com o presidente petista, em meio às passagens da vida pessoal e profissional. O programa inicia a citação de realizações da gestão federal no estado, com o slogan “Goiás pode mais”.Para o professor da PUC/GO, Pedro Pietrafesa, a apresentação inicial de Luis Cesar cumpre o papel de tentar se vincular ao principal cabo eleitoral. “Ele se apresentou e mostrou suas experiências administrativas, mas buscou se colar ao presidente Lula, o que é extremamente importante para consolidar o eleitor do Lula na campanha dele e não em outros candidatos, como Daniel Vilela ou Marconi Perillo”, considerou.Já a estratégia do senador Wilder Morais (PL) buscou contrastar o crescimento geral do estado com as carências cotidianas da população, posicionando o candidato como alguém sensível às dificuldades sociais e com perfil realizador. O primeiro programa reproduziu imagens do ex-governador Iris Rezende (MDB), falecido em 2021, pai da candidata a vice, Ana Paula Rezende, mas explorou principalmente o contraste social em Goiás. Questionou, indiretamente, a narrativa governista de desenvolvimento do estado, com o argumento de que a riqueza “não tem chegado na casa de todo mundo”.Já a segunda peça busca desconstruir a imagem do “político tradicional” ao focar na história de superação do postulante, com testemunhos de familiares e amigos sobre as origens humildes de Wilder em Taquaral. Sem citações diretas ao bolsonarismo, o candidato do PL busca se apresentar como “construtor focado e determinado”. “Chamou atenção que o Wilder Morais falou pouco, no geral, nessa tentativa de levar a proposta de que o estado pode avançar mais do que foi feito até agora, inclusive com uma crítica leve ao governo atual. O sentido é, mesmo sendo um candidato de oposição, defender que pretende continuar políticas e estratégias que estão sendo adotadas pela administração iniciada por Caiado”, analisou Pedro Pietrafesa.Com o menor tempo na propaganda, o ex-governador Marconi Perillo (PSDB) adotou comunicação direta e focada na busca por consolidar uma marca de realizador. O próprio candidato minimiza a limitação de espaço na TV ao afirmar que “o tempo nunca foi problema” e desafia o governo atual ao alegar ter feito mais obras em seis meses de seu primeiro mandato do que toda a atual gestão.“O Marconi tenta atacar e comparar legados, mas não tem sido propositivo. Fala em apresentar projetos para o futuro, mas sempre volta a falar do passado e atacar o legado do adversário. Não é uma estratégia para conquistar corações e mentes, principalmente quando se tem uma rejeição tão alta”, afirmou Guilherme Carvalho.