Dois meses após a confirmação de Wilder Morais como pré-candidato ao governo de Goiás, o racha no PL, entre o senador e o deputado federal Gustavo Gayer, persiste. O cenário foi evidenciado no evento “Acorda, Goiás”, organizado por Gayer no sábado (11), no Tatersal de Elite da Pecuária, em Goiânia. O encontro contou com a presença do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), mas também foi marcado pela ausência de Wilder. O senador não foi convidado. A justificativa oficial é que se tratou de um evento suprapartidário e nenhum pré-candidato ao governo foi chamado, mas o argumento é refutado nos bastidores diante da forte presença de lideranças do PL. Em fevereiro, durante visita a Jair Bolsonaro (PL) na Papudinha, no Distrito Federal, Wilder conseguiu o aval do ex-presidente para a pré-candidatura a governador, e, com isso, atropelou a articulação de Gayer para disputar o Senado na chapa do governador Daniel Vilela (MDB), ao lado da ex-primeira-dama Gracinha Caiado (UB).A informação nos bastidores é que Wilder já tentou aproximação com Gayer, mas o deputado resiste. Entre membros do PL existem aqueles que acreditam que o partido pode chegar à campanha eleitoral dividido. No entanto, outras lideranças também afirmam que o cenário provoca insatisfações internas e a pressão de pré-candidatos a deputado estadual e federal pode contribuir para a unidade do grupo. Wilder e Gayer estiveram juntos na Tecnoshow, em Rio Verde, na semana passada, o que foi visto como um sinal positivo.Para o deputado estadual Major Araújo (PL), o cenário pode prejudicar o projeto majoritário do PL e Gayer deveria recuar. “Está na hora de calçar um pouquinho a sandália da humildade e tentar dar um passo atrás. Isso não é pecado, não é ruim, é virtude”, disse. Fred Rodrigues (PL) disse que “ainda há algumas divergências”, mas afirmou acreditar na unidade do partido até o início da campanha. Gayer e Fred estão afastados. Já a deputada federal Magda Mofatto (PL) argumentou que o foco de todos os grupos dentro do partido deve ser eleger Flávio Bolsonaro (PL) presidente. EventoPrincipal convidado do evento deste sábado, Nikolas Ferreira destacou a necessidade de tentar convencer eleitores que apoiam outros grupos políticos a votarem na direita. Ferreira disse que seu foco é alcançar “pessoas enganadas” e citou a força eleitoral do PT no Nordeste do País.Ferreira relembrou ainda a caminhada que fez em janeiro entre Paracatu, em Minas Gerais, e Brasília, no Distrito Federal, em um movimento de crítica a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e pelo fortalecimento da direita.O prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa (PL), discursou no evento representando as lideranças municipais e defendeu o projeto de Gayer ao Senado. Embora seja filiado ao PL e liderança bolsonarista no estado, Corrêa é ligado a Daniel Vilela e apoia a reeleição do emedebista. Havia expectativa de a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) comparecer ao evento, mas isso não ocorreu. Também havia perspectiva de o senador e pré-candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL) participar on-line, mas um problema técnico impediu o plano.Gayer chegou a ligar para Flávio de um celular para que ele fizesse o pronunciamento, mas apenas as primeiras palavras do senador foram ouvidas e em seguida a ligação falhou.A reportagem entrou em contato com Wilder e Gayer, mas não houve retorno até o fechamento desta edição.