Jovem opositor da ditadura de 1964, membro do finado Partido Comunista Brasileiro, vereador, deputado, ministro destacado de dois governos, executor de uma reforma agrária que desagradou a ruralistas e ao MST, esquerdista com confiança do Exército, golpista de direita para o PT, operador de bastidores. Morto neste domingo (18) aos 73 anos, no hospital DF Star, em Brasília, Raul Belens Costa Jungmann Pinto trazia consigo os epítetos acima e outros mais. Sua maleabilidade de camaleão político e capacidade negociadora era admirada por aliados e desprezada como falta de coerência por detratores. Jungmann foi figura carimbada do noticiário político nacional desde os anos 1990, quando virou a cara da reforma agrária do governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Sua trajetória até então havia sido no campo da esquerda, iniciada em casa.