Brasília – Uma passagem de apenas duas horas no gabinete presidencial no terceiro andar do Palácio do Planalto marcou a interinidade do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), como presidente da República, ontem. Além de rápida, muito discreta, como, aliás, tem sido a postura de Renan desde que assumiu, em fevereiro, seu segundo mandato de presidente do Senado – do primeiro ele renunciou em dezembro de 2007 após sangrar por meses sob a acusação de que teve despesas pessoais pagas por uma empreiteira.Mas não se furtou à tentação de receber amigos e familiares no gabinete presidencial, para registrar para a posteridade. O deputado Renan Filho (PMDB-AL) com a mulher e o filho foram lá, mas Renan reagiu de pronto quando lhe foi sugerido que sentasse à mesa da presidente Dilma Rousseff. “Não. Aqui ninguém senta.”Renan passou toda a manhã em casa e só chegou ao Planalto por volta das 15h50, quando foi recebido no gabinete pelas ministras Gleisi Hoffmann (Casa Civil) e Helena Chagas (Secretaria de Comunicação Social). Logo depois se reuniu com um grupo de senadores, entre eles José Sarney (PMDB-AP). O governador de Alagoas, Teotonio Vilela Filho (PSDB), também foi prestigiar o conterrâneo.No fim da tarde, Renan fez visita ao comitê de imprensa do Planalto. Perguntado se havia assinado algum ato, disse: “Nada de MP. Nada de veto. Nada de nomeação de ministro.”Foi uma interinidade de pouco mais de 24 horas, pois hoje de manhã o vice-presidente Michel Temer volta da viagem a Quito. Ele foi à posse de Rafael Correa em seu terceiro mandato como presidente do Equador. Temer fica como interino até a segunda-feira, quando Dilma voltará da Etiópia. O segundo na linha sucessória, depois de Temer, é o presidente da Câmara dos Deputados, mas Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) também estava em missão oficial nos Estados Unidos esta semana. Renan Calheiros já havia assumido a presidência da República uma vez, em 2006, quando era presidente do Senado. -Imagem (Image_1.329416)