O prefeito de Goiânia, Sandro Mabel (UB), enfrentará nas próximas semanas o desafio de reorganizar sua base de vereadores, escolher um novo líder e garantir maioria nas principais comissões da Câmara. O contexto é de tramitação de matérias relevantes para o Paço Municipal, como a revogação da taxa do lixo, Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026 e regra de contratação de temporários da Educação.O embate relacionado à criação da Comissão Especial de Inquérito (CEI) do Limpa Gyn desgastou a relação do prefeito com parte da base, que chegou a ter 28 membros. Mabel se posicionou contra a CEI, mas mesmo assim um grupo de 16 parlamentares da base e independentes persistiram nas tratativas pela comissão (está na fase de indicação dos membros).Nos bastidores, a informação é que a CEI faz parte de uma estratégia para pressionar Mabel por mais cargos na Prefeitura e rapidez na liberação de emendas. Os vereadores também reclamam do tratamento que recebem do prefeito. Mabel já afirmou que foi pressionado. No entanto, os parlamentares negam a estratégia.Nesta semana, com a colaboração de aliados, Mabel sofreu derrotas em votações na Casa, como a aprovação em primeiro turno de projeto de lei de Lucas Vergílio (MDB) que revoga a taxa do lixo, por 20 votos a 13. Nesta sexta-feira (29), o líder do governo, Igor Franco (MDB), foi retirado do posto, após ter articulado a CEI e apoiado a revogação da taxa.No Paço, a leitura é que existem atualmente 16 nomes leais a Mabel, grupo formado pelos vereadores que compõem quatro blocos articulados pela Prefeitura para indicação de nomes para a CEI. Entre os 13 que se afastaram, o objetivo é levar pelo menos quatro para este núcleo, embora exista a intenção de trazer todos de volta.A bancada do PL tem quatro vereadores independentes com os quais o Paço entende que a articulação precisa ser pontual, a cada pauta. Há casos de membros deste grupo com indicações na Prefeitura. A oposição é formada pela bancada do PT, que tem três nomes, e Aava Santiago (PSDB).A informação é que, para reorganizar a base, Mabel pretende negociar com obras e atendimento a demandas nas bases dos vereadores. Quanto à indicação de cargos, a leitura é que vão continuar a ser feitas dentro das regras colocadas pelo prefeito, mas sem possibilidade de ampliar ao nível feito pelo ex-prefeito Rogério Cruz (SD). Embora não exista divulgação da quantidade de cargos que os parlamentares tinham na antiga gestão ou têm atualmente, os vereadores afirmam nos bastidores que o espaço cedido por Mabel “não se compara” ao que tinham acesso com Cruz. Como o Giro já havia mostrado, entre vereadores, o entendimento é que Mabel deve reiniciar o processo de formação de sua base, com conversas individuais. Diante da proximidade de votação de projetos importantes, a medida é vista como urgente. “Não dá para ter base orgânica. Tem que estar organizado”, disse um parlamentar.A reportagem apurou que, entre os vereadores que se afastaram do Paço, existe o sentimento de que, depois de terem ajudado o prefeito com matérias importantes, não tiveram suas demandas atendidas. MaioriaApós aprovada em primeiro turno, a revogação da taxa do lixo vai para a Comissão de Finanças, Orçamento e Economia. Entre os 12 membros do colegiado, sete são de oposição, independentes ou estão entre aqueles membros da base que se afastaram da Prefeitura. O presidente é Welton Lemos (SD), que respaldou a revogação na primeira votação. Em seguida, a matéria volta ao plenário.Na Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJ), a principal da Casa, a situação de Mabel é ainda mais difícil. Entre os 14 membros, apenas quatro são do núcleo considerado fiel ao Paço. O presidente é Luan Alves (MDB), que já anunciou que abre mão de suas indicações no Paço. Na Mista, o placar é apertado, Mabel tem 11 entre 23. O presidente é Cabo Senna (PRD), responsável por protocolar o requerimento da CEI do Limpa Gyn.As três comissões têm uma cadeira específica para o líder do governo. Os números citados anteriormente consideram este espaço, mas Mabel ainda não definiu quem vai substituir Franco. A escolha é estratégica para as comissões. Se Mabel escolher um nome que já está na CCJ, por exemplo, este vereador passa para a cadeira de líder e abre vaga para a entrada de outro parlamentar. O mesmo ocorre nos outros dois colegiados. Entre vereadores, a leitura é que Mabel precisa escolher um nome que tenha trânsito na base, entre independentes e oposição. Além disso, os parlamentares afirmam que o prefeito precisa dar liberdade ao novo líder “para trabalhar” e conseguir articular as demandas de vereadores e manter a base firme.