O número de representações à Justiça Eleitoral de Goiás quadruplicou de janeiro a julho deste ano, na comparação com o mesmo período de 2022, o que evidencia um ambiente de disputa mais judicializado e ajuda a explicar a busca dos pré-candidatos ao governo por reforço nos times jurídicos.Tanto os governadoriáveis como advogados afirmam que, além da blindagem das campanhas e da fiscalização sobre os adversários, as perspectivas de maior uso de inteligência artificial (IA) nas eleições deste ano acentuam a necessidade de profissionalização do QG jurídico.Na terça-feira (28), o ex-governador Marconi Perillo (PSDB), que busca novo mandato no Executivo, foi a Brasília fechar contratação do escritório do advogado José Eduardo Alckmin, ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), para atuar em sua campanha. Em Goiás, o advogado Romero Ferraz, que trabalha há anos com o tucano, ficará à frente da coordenação.Segundo a assessoria, Marconi prevê alta demanda nas eleições deste ano e uma maior agilidade da Justiça, fazendo com que as ações cheguem rapidamente ao TSE, daí a preocupação com uma estrutura em Brasília.O governador Daniel Vilela (MDB), pré-candidato à reeleição, afirma que Anna Vitória Caiado, filha do ex-governador Ronaldo Caiado (PSD), e Dyogo Crosara comandarão sua equipe jurídica. Ela foi coordenadora das campanhas do pai em 2018 e 2022.O senador Wilder Morais, pré-candidato do PL, mantém o advogado Leonardo Batista, que já trabalha com ele também desde a eleição passada, segundo informações da assessoria.Último nome lançado na disputa ao governo, o ex-deputado Luis Cesar Bueno, pré-candidato pelo PT, disse que ainda não fechou a coordenação, mas que o responsável pelo jurídico do diretório estadual do partido, o advogado Edilberto Dias, está à frente até o momento.Edilberto conseguiu recentemente decisão favorável da Justiça Eleitoral que multou Wilder e outros pré-candidatos do PL e determinou a remoção de painel em escritório do grupo chamado “A Casa da Direita”, em Goiânia. O argumento foi propaganda antecipada, o que motivou parte das representações feitas ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-GO) até agora.Levantamento solicitado pela reportagem ao TRE-GO aponta que desde o início do ano até a última sexta-feira (24), foram autuados 65 representações, 1 pedido de direito de resposta e 2 mandados de segurança.No mesmo período pré-eleitoral de 2022, haviam sido registradas apenas 16 representações. Não houve direitos de resposta nem mandados de segurança na época.Ao longo de todo o ano de 2022, houve a autuação total de 385 representações, 27 direitos de resposta e 18 mandados de segurança.Além de propaganda antecipada e de condutas vedadas, ações deste ano também são de reação a ataques em redes sociais. Advogados apontam que a estratégia de adotar tom mais agressivo para viralizar ou aumentar o engajamento vem sendo utilizada por muitos pré-candidatos ao Legislativo.Novo entendimentoProfessor e mestre em Direito Eleitoral, Alexandre Azevedo afirma que o entendimento recente da Justiça Eleitoral sobre “palavras mágicas” que representam pedido de voto antes do início da campanha ajudou a elevar o número de representações.Ele também prevê que a intensificação do uso de IA provocará maior demanda judicial. “Por ser novidade, é provável que parte dos candidatos vá testar os limites da norma e os limites da interpretação da Justiça Eleitoral”, diz o professor.Segundo a lei, as representações podem ser feitas por partidos, federações e pelo Ministério Público Eleitoral (MPE). A partir do registro das candidaturas, que pode ser feito até 15 de agosto, a legislação prevê as ações de investigação judicial eleitoral (AIJE), que atacam abusos mais gravosos e podem levar a multa, cassação do registro e do diploma, e a inelegibilidade.