Depois de ter encerrado, por falta de quórum, a reunião ordinária desta quarta-feira (22) da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), da Câmara Municipal de Goiânia, o presidente do colegiado, Luan Alves (MDB), negou, ao POPULAR, a possibilidade de uma “manobra política” para a não realização do encontro do colegiado. “É normal falarem que é uma manobra, mas já tivemos várias reuniões, desde que assumi a presidência da CCJ, no ano passado, que eu cancelei por falta de quórum. Não é a primeira vez que faço isso”, afirmou Alves, alegando ainda que o atraso da CCJ muitas vezes acaba comprometendo também o andamento das sessões ordinárias no plenário da Casa. O emedebista comentou o encerramento da reunião depois de O POPULAR mostrar, na terça-feira (21), que o ritmo de tramitação dos projetos de lei da Prefeitura de Goiânia na CCJ virou motivo de embate entre o Paço e Alves. O prefeito Sandro Mabel (UB) acusa o presidente da CCJ de travar o andamento das matérias por razões políticas, e Alves nega estar brecando as propostas. “Eu cheguei à Câmara hoje às 7h15 e fiquei esperando os membros da CCJ chegarem”, reforçou o vereador.As reuniões da CCJ, que ocorrem semanalmente, são iniciadas às 8h. Nesta quarta, Alves declarou a sessão encerrada às 8h11, com apenas seis vereadores, além dele, presentes na sala das comissões do Legislativo - Igor Franco (Podemos), Kátia Maria (PT), o líder do governo, Wellington Bessa (Mobiliza), Lucas Kitão (Mobiliza) e Pedro Azulão Jr. (MDB). O colegiado tem 12 integrantes e, para iniciar os trabalhos, são necessárias ao menos oito presenças. Na pauta de projetos a serem votados nesta quarta, não havia previsão de análise de nenhuma das propostas encaminhadas pela Prefeitura. Como mostrou O POPULAR, na lista de matérias enviadas pelo Executivo que estão na CCJ, auxiliares de Mabel destacam, entre os principais, a regulamentação de concessão de benefícios eventuais previstos na Lei Orgânica da Assistência Social e outros três que criam os programas Meu Uniforme, Autonomia Financeira das Unidades de Saúde (Pafus) e o Morar no Centro. As propostas chegaram à Câmara entre fevereiro e o final de março.Sem relatorAlém de reforçar que “não é pautado pela Prefeitura nem por interesses pessoais de ninguém”, Alves pontuou que, dos projetos do Paço, apenas o Pafus está apto para ter o relator indicado, o que, disse, deverá fazer nos próximos dias. As demais propostas, segundo o emedebista, “não estão aptas porque ainda nem tiveram relatório”. “Sobre os prazos, nós tivemos muitos feriados recentemente, e isso acabou comprometendo os trabalhos da CCJ”, afirmou Alves. O POPULAR também mostrou as falas do prefeito, que afirmou ter pedido ao presidente da Câmara, Romário Policarpo (Cidadania), o avocamento das propostas do Executivo - e recebido sinal verde -, e ainda ameaçado “colocar a boca no trombone contra a Câmara”, em virtude das matérias paradas.Apesar de afirmar que ainda não teve tratativas com Policarpo, Alves destacou acreditar que o presidente da Casa não irá avocar nenhum projeto. “Não é do perfil do Romário agir com truculência, embora seja um ato discricionário dele de pedir o avocamento das matérias. Ele é um presidente que sabe construir as coisas e acho que não faria isso”, disse Alves.A reportagem não obteve retorno de Policarpo até o fechamento desta edição. ObrasNa sessão ordinária desta quarta, Alves, Coronel Uzêda (PL) e Kátia Maria (PT) alfinetaram ainda a “mudança de rota” de Mabel em relação ao planos para 2026, que incluem foco maior em zeladoria. A informação foi revelada pelo Giro. “Estou meio preocupado porque o prefeito disse que tinha 1,2 bilhão para gastar em obras em Goiânia, mas agora já mudou. Vai ser zeladoria. Se for cuidar disso, eu vou ajudar, porque a cidade continua deficiente. Mas era necessário obras também”, ironizou Urzêda.