Com pedidos de investigação contra pelo menos dois de seus dez integrantes, o STF (Supremo Tribunal Federal) não conseguiu vencer a primeira preliminar para decidir se deveria abrir uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes. Para especialistas, a demora demonstra a dificuldade do tribunal de lidar com seus próprios problemas. Eu preferia que os ministros votassem de forma contrária ao que acredito [que não sairia decisão sobre o pedido de investigação", comenta o professor Rafael Mafei, da Faculdade da USP. Para ele, não há sentido no fato de os ministros terem gasto um dia inteiro de sessão para decidir as questões preliminares. "Era algo que poderia ter sido decidido com mais celeridade", afirma. Mafei defende que os casos não precisam ser analisados conjuntamente, nem que há risco de contradição entre a decisão a respeito de Moraes e Mendonça. "Havia contradição quando um ministro decidia afastar o diretor-geral da Polícia Federal e outro votava para reconduzi-lo ao cargo", afirma. A conexão entre os dois casos foi a principal discussão jurídica do dia.