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O meu autismo preferido

Sua cabeça funciona de maneira diferente das outras pessoas. Você mantém pouco contato visual, odeia barulhos altos e tem um foco incrível em tudo o que faz. Seria assim se você fosse autista.

O autismo é uma síndrome que pode se manifestar em diferentes graus de complexidade, influenciando muito ou pouco a vida das pessoas diagnosticadas. Alguns autistas famosos por suas formas particulares de pensar, como Elon Musk e Bill Gates, fazem com que as pessoas associem o autismo à superinteligência. Porém, a realidade é bem mais complexa.

Há poucas décadas pessoas autistas eram frequentemente trancadas em manicômios e abandonadas por suas famílias. Com o passar do tempo, felizmente, o tema começou a ser estudado com mais seriedade e compreensão, embora muitas perguntas ainda não tenham respostas definitivas pela ciência.

A sabedoria popular afirma que "de perto ninguém é normal", e hoje está cada vez mais difícil para a neurociência determinar exatamente o que significa ser "normal". Certamente você já se perguntou: "Eu sou normal?". No meu caso, fui diagnosticado com autismo aos 40 anos porque minha família buscava explicações para algumas características minhas.

Mesmo tendo estudado em uma das melhores faculdades de medicina da Europa, ninguém percebeu meu autismo ou, ao menos, não me informaram disso. Afinal, naquele ambiente altamente competitivo, quem poderia realmente ser considerado "normal"?

Finalmente, a medicina está conseguindo diagnosticar e tratar adequadamente o Transtorno do Espectro Autista, fazendo com que ele deixe de ser um estigma. Sinceramente, minha vida não mudou em nada depois do diagnóstico, nem precisaria mudar, mas eu passei a me entender melhor.

Na véspera do Dia Mundial de Conscientização do Autismo, convido você a refletir: você seria considerado normal em outro planeta? É exatamente assim que um autista se sente. Filosofando um pouco, poderíamos definir que, no nosso planeta, "normal" é aquilo que é melhor para a maioria das pessoas. Talvez o autista apenas esteja inserido no ambiente errado.

No lugar certo e com as ferramentas necessárias, pessoas autistas podem ser extremamente produtivas. Não se deve esperar que um peixe seja bom em subir árvores. Cada indivíduo tem suas próprias habilidades.

Se seu filho é diferente, não o force a ser igual a você. Ofereça condições para que desenvolva suas habilidades sem pressão e sem tentar antecipar diagnósticos precoces em bebês. O mundo já tem rótulos demais; não é preciso rotular alguém para tratá-lo com respeito e compreensão. O essencial é o acompanhamento com o pediatra para garantir que cada criança desenvolva plenamente seu potencial.

Em vez de tentarmos definir o que é normal, seria muito mais produtivo criarmos condições adequadas para que o autista possa contribuir plenamente neste planeta, com suas diversas habilidades. Afinal, o mundo só evolui porque algumas pessoas pensam diferente. E o "normal", se é que realmente existe, costuma ser extremamente chato.

Marcelo Marques, médico e gestor

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Cileide Alves

Cileide Alves

Jornalista, ex-editora-chefe de O Popular, é mestre em História pela UFG e autora do livro “Iris Rezende - De líder estudantil a governador (1958/1983)”

2026 chegou para Caiado

O lançamento da pré-candidatura do governador Ronaldo Caiado (UB) a presidente da República, nesta sexta-feira (4), em Salvador, foi uma "festa goiana na Bahia", conforme palavras precisas da repórter Karla Araújo. Do locutor da segunda parte do evento, Urano Lopes, voz conhecida dos eventos do governo de Goiás, até a presença de 30 deputados estaduais, de dezenas de prefeitos goianos, além de assessores do governo, os goianos se destacaram. O prefeito de Salvador, Bruno Reis (UB), e o ex-prefeito e vice-presidente do União Brasil, ACM Neto, também deram uma grande colaboração. O salão do Centro de Convenções de Salvador ficou lotado.

Caiado foi candidato a presidente da República em 1989, quando era apenas um jovem médico e líder ruralista. Passados 36 anos, ele almeja nova candidatura, agora com vasta experiência no Congresso Nacional e duas eleições de governador, ambas vencidas no primeiro turno. É, inquestionavelmente, uma liderança política nacional, mas isso não facilita sua luta para ser presidenciável, ainda mais no campo da direita, onde o ex-presidente Jair Bolsonaro segura a vaga para si próprio, mesmo inelegível, e do desejo dos governadores Ratinho Júnior (PR), Tarcísio de Freitas (SP), e Romeu Zema (MG) de entrarem nessa corrida.

Desconhecido para 63% do eleitorado brasileiro, segundo pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (2), Caiado só viabilizará sua candidatura se reverter esse desconhecimento. Pensando assim, ele entrou na disputa das "prévias eleitorais", segundo diz, quando um pré-candidato faz campanha para conquistar os membros de seu partido e, em seu caso, de todo o campo da direita. Para chegar lá, ele tem de reverter a baixa pontuação nas pesquisas.

A última Quaest revelou que o governador tem 30% dos votos em uma eventual disputa de segundo turno com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o pior índice entre os possíveis nomes da direita. O levantamento, contudo, trouxe-lhe informações estimulantes, além da queda da aprovação do governo Lula (a aprovação caiu 7 pontos porcentuais e a desaprovação subiu igualmente). Entre outros problemas, ele revelou que para 88% dos brasileiros o preço dos alimentos aumentou e que o poder de compra caiu para 81%. A violência urbana é a principal preocupação da população.

O "governo derrete", disse Caiado, ao concentrar críticas a Lula no discurso de presidenciável em Salvador. Ele repetiu seu já conhecido bordão de que "bandido não se cria em Goiás" e afirmou que promoveu "a segurança plena", seja lá o que isso significa, para atrair a atenção do eleitorado. Neste cenário, a "festa goiana na Bahia" energizou o pré-candidato e lhe deu visibilidade fora do Estado, por ser ele o primeiro a se apresentar como candidato para 2026.

Depois de lançar a "pedra fundamental" de sua candidatura, o governador terá de fazer o mais difícil, que é construir sua "obra". Como ACM Neto destacou, em entrevista à imprensa, uma candidatura é "uma construção política" e Caiado terá de construir maioria no União Brasil, partido que ajudou a fundar em 2021, mas que desfalcou seu evento ontem. A ausência do presidente nacional, Antônio Rueda, ungido ao cargo também pelas mãos de Caiado, foi a mais comentada por simbolizar a falta de coesão interna.

Os partidos do Centrão -- caso do UB, do PP e do MDB -- podem até lançar um nome sem chance eleitoral, como a senadora Soraya Thronicke (UB), candidata na eleição de 2022. Mas só entram em uma disputa pra valer, como Caiado quer fazer no próximo ano, com convicção de que vencerá. O governador sabe com quem está lidando, daí seu foco é "fazer o dever de casa", ou seja, correr o país em pré-campanha, surfando na onda da impopularidade do presidente Lula e na preocupação dos cidadãos com a violência para aparecer e crescer nas pesquisas eleitorais. Assim, 2026 já chegou em seu calendário eleitoral e ele mergulhará de cabeça nesse projeto em meio a suas obrigações de governar Goiás.

Cileide Alves, jornalista

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Papel estratégico da Tecnoshow

Reconhecida pelo seu tamanho, volume de negócios, apresentação de novas tecnologias e processos produtivos no campo, a feira Tecnoshow Comigo vai muito além disso. Realizada anualmente em Rio Verde, um dos maiores polos do agronegócio brasileiro, ela tem se transformado num grande fórum de discussão sobre os problemas e perspectivas do setor.

No concorrido palanque da Tecnoshow desfilam líderes do setor, presidentes de entidades de classe, políticos locais e nacionais, representantes dos poderes Legislativo, Judiciário e delegações estrangeiras. Tudo testemunhado pelos veículos de comunicação mais conceituados do Brasil.

Este interesse decorre, além da incontestável importância do agronegócio no Brasil e da Comigo, uma cooperativa que comprova a força do modelo cooperativista, da oportunidade de discutir e apontar soluções para os gargalos enfrentados pelo setor.

Ao longo dos últimos anos, Goiás tem se consolidado como uma das maiores potências da agropecuária brasileira. Para esta safra 2024/25, devemos atingir a colheita recorde de quase 35 milhões de toneladas, a terceira maior do país. Além disso, o Valor Bruto da Produção (VBP) da agricultura e da pecuária goiana deve ultrapassar neste ano, pela primeira vez, a marca dos R$ 120 bilhões.

O agronegócio goiano, hoje o terceiro mais importante do Brasil em produção, tem forte potencial para alcançar a segunda posição nacional. A nova safra agrícola do estado deve ser 50% maior que a colhida em 2018/19 e quase 15% maior que a última (2023/24).

Portanto, a Tecnoshow funciona como um farol que aponta para o futuro sem perder de vista as lições do passado. Que não deixa esquecermos dos desafios climáticos sem uma política de seguros adequada, os problemas crônicos de infraestrutura, margens apertadas, crédito insuficiente, recuperações judicias, falta de crédito, juros altos, entre outros desafios.

Para o futuro, o farol deixa antever velhos e novos desafios. Os juros continuarão elevados, a narrativa internacional contra o agro brasileiro tende a se potencializar na COP 30 e a instabilidade geopolítica turva o ambiente econômico.

É neste cenário que acontece a 22ª edição da Tecnoshow Comigo, entre 7 e 11 de abril. Momento de reflexão e discussões. Após a abertura e quando a plenária principal for desfeita, continuarão ocorrendo debates, seminários, palestras técnicas e a exposição de uma profusão de tecnologia e novas técnicas no campo.

Com planejamento estratégico, inovação tecnológica, expansão da infraestrutura e investimentos adequados, vamos superar os desafios de hoje e consolidar o agronegócio goiano como o segundo maior do Brasil. É esse ambiente que certamente vamos encontrar nos próximos dias em Rio Verde. Tudo isso envolto num ambiente efervescente de negócios.

Essa é a razão que transforma a Tecnoshow numa das feiras mais importantes do agronegócio brasileiro, que orgulha os goianos e o cooperativismo.

Luís Alberto Pereira, presidente do Sistema OCB/GO

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Antonio Candido quando era jovem

O filósofo William James, pioneiro da psicologia nos Estados Unidos, disse que, se numa noite escura projetarmos a luz de uma pequena lanterna no rio Mississippi, a superfície iluminada estará para a massa total das águas como a nossa consciência para a massa de nossa vida inconsciente.

Antonio Candido repetiu a frase e, com um ponto de exclamação que não era do seu feitio, desabafou: "Que coisa difícil!". Não falava de psicologia, mas dos romances brasileiros que, suando sangue, lia para escrever sua coluna semanal no Diário de S.Paulo. Entre os lançamentos, os romances apenas passáveis eram gotículas de um caudaloso Mississippi.

Naquele dia, ele comentou livros de três estreantes. O primeiro, disse, além de "pretensioso" e "pedante", era uma "marcha de cartola e jaquetão". O segundo mesclava "ingenuidade científica, ironia fácil e pseudocomplexidade". No último, "o espírito é reduzido à piada, o vigor à brutalidade, a finura à falta de escrúpulos".

Esse comentarista desabusado não era o grande crítico cultural do século 20, o último pensador da formação nacional. Não passava de um iniciante que resenhava bobagens como "Banana Brava", de José Mauro de Vasconcelos, e "Éramos Seis", da senhora Leandro Dupré.

Candido tinha 23 anos, em 1941, quando começou a escrever em Clima, a revista que fundou com amigos. Pouco depois, começou a fazer os "rodapés literários", publicados primeiro na Folha da Manhã ---que deu origem à Folha de S.Paulo--- e em seguida no Diário de S.Paulo.

Foram centenas de artigos ---com o triplo do tamanho desta coluna--- em tempos turbulentos: Estado Novo, censura, Dia D, queda de Hitler e Vargas, reorganização da esquerda, eleições. Época em que estiveram na ativa Mário e Oswald de Andrade, Drummond, Erico Verissimo, Graciliano Ramos, Vinicius de Moraes. Os anos da estreia de Guimarães Rosa, Clarice Lispector e João Cabral de Melo Neto. Antonio Candido comentou tudo.

Graças ao empenho de um pesquisador, e à tecnologia, a íntegra do que o crítico publicou na imprensa nos anos 1940 encontra-se à disposição de todos, de graça, na internet. O autor da proeza é Daniel Essenine Takamatsu Arantes. Ele percorreu bibliotecas, arquivos, plataformas da internet e coleções. Xerocou, reproduziu à mão, copiou e colou.

"Caminho Crítico: Um Roteiro de Leitura dos Artigos de Antonio Candido em Clima, Folha da Manhã e Diário de S.Paulo (1941-1947)" é uma tese de doutorado que foi defendida, em 2022, na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. A professora Maria Augusta Fonseca orientou Daniel Arantes ---e revelou a ele alguns textos desconhecidos de Candido.

Colossal, a tese tem 820 páginas. Nas primeiras 200, Arantes resume os temas que mobilizaram o crítico: o modernismo; a poesia lírica e a participante; a matéria social e o primado da forma na literatura; o romance como gênero burguês. As outras 600 são os seus artigos.

O trabalho foi feito com capricho e objetividade, sem shows de erudição. Arantes não quis "escrever bonito", ou no paralelepítico jargão acadêmico. E fica bastante evidente que leu toda a bibliografia acerca do seu objeto de estudo.

O crítico tinha 23 anos quando publicou seu artigo inaugural, em Clima. Com pena leve e autoironia, fez uma declaração de princípios: daria preferência aos escritores jovens; não encararia a literatura como expressão individual, e sim como fenômeno social; o momento era de mudanças.

Seis anos depois, constata-se que fez bem mais. Avaliou os jovens com empatia, mas foi áspero ao se deparar com empulhações. Desenvolveu um estilo sem paralelo na imprensa: claro e sem concessões. Não se furtou a atacar medalhões nem fez média com conhecidos e amigos. Não foi um colunista brasileiro típico.

Por exemplo: disse que Jorge Amado e Erico Verissimo eram bons escritores que a elite atacava por serem populares. E então comprovou, com exemplos vexatórios, que os últimos livros deles eram horrendos.

Reconheceu a qualidade de João Cabral e Clarice Lispector sem saber quem eram; foi o primeiro a elogiá-los. Admirou Carlos Drummond de Andrade desde sempre e até o fim. À sua revelia, porque era modesto, Antonio Candido é o centro desses rodapés ---um homem reto que fala verdades e dá o melhor de si a outrem, sem esperar nada em troca.

A tese de Daniel Arantes com o autorretrato do crítico quando jovem pode ser encontrada na íntegra no site teses.usp.br.

Mario Sergio Conti, jornalista, é autor de "Notícias do Planalto"

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Dia da libertação ou da ruína?

Se a palavra de ordem de Donald Trump é "reciprocidade", ele deveria diminuir, não aumentar as tarifas para Brasil, Austrália e Reino Unido, com os quais os Estados Unidos têm seus maiores superávits comerciais do mundo. Portanto, não é justo e "não reflete a realidade", como diz a nota brasileira, impor uma tarifa linear de 10% a mais para produtos brasileiros e dos dois outros países, sob a alegação de restabelecer equilíbrio e reciprocidade.

Com a expectativa e o temor de uma taxa ainda maior, os 10% foram recebidos com um misto de alívio e disposição de briga, ou melhor, de negociar condições melhores. O chanceler Mauro Vieira conversou com o representante comercial Jamieson Greer antes do anúncio de Trump e vai conversar novamente na próxima semana, agregando status e densidade política às negociações técnicas.

Com Ásia e Europa no alvo principal de Trump, o Brasil foi atingido com o patamar mais baixo, 10%, junto com seus equivalentes sob dois ângulos: os que garantem superávit para os EUA, e os da América do Sul. O superávit dos EUA com o Brasil é constante, somou US$ 410 bilhões em 15 anos, incluindo bens e serviços, e chegou a US$ 28,6 bilhões só em 2024, o que corresponde ao terceiro maior superávit do país no mundo, atrás de Reino Unido e Austrália.

Também ficaram nos 10% Argentina, Uruguai e Paraguai, do Mercosul, assim como Chile, Colômbia e os demais sul-americanos, com exceção da Venezuela, com 15%. O critério geral não parece político. Lula apoiou Kamala Harris em 2024, enquanto Javier Milei foi o primeiro presidente no beija-mão de Trump, mas Argentina e Brasil ficaram nos mesmos 10%.

A boa notícia foi a aprovação rápida no Congresso, liderada pela senadora Tereza Cristina, representante do agro e considerada como a melhor ministra do Governo Bolsonaro, de um arcabouço legal para eventuais retaliações comerciais como, agora, contra os EUA. O Senado aprovou por 70 a zero num dia e a Câmara, por voto simbólico, já no dia seguinte. Bolsonaro e seu filho Eduardo, hoje morando nos EUA, ficaram falando sozinhos.

Trump fez questão de desnortear o mundo ao lançar uma lista de países e porcentuais, sem explicar e deixando um rastro de dúvidas: as taxas se somam a aço, alumínio, carros e seus componentes? Valem para todos os setores e produtos? Uma barafunda, com as bolsas despencando na Ásia, na Europa e... nos EUA.

Trump guerreia contra governos, enquanto chantageia as maiores indústrias para se instalarem nos EUA. Seu objetivo é bagunçar o mundo e rachar internamente os países, mas no Brasil, por exemplo, pode ocorrer o oposto. O Congresso sinaliza uma união nacional contra Trump, o inimigo comum, que explode o sistema internacional que elevou seu país à condição de maior potência mundial.

Eliane Cantanhêde, jornalista

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